Estudantes do Sul de MG dão dicas de como se preparar para passar na universidade em tempos de pandemia

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Conheça experiências de estudantes que conseguiram alcançar a aprovação em universidades durante a pandemia

Se preparar para um vestibular, ter boas notas e conseguir a aprovação em uma universidade sempre foi um desafio. Porém, mais desafiador ainda, é alcançar esta meta durante uma pandemia. Com a suspensão das aulas presenciais, segundo um estudo feito pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), 67% dos alunos relatam não conseguirem se organizar com as atividades remotas.

Por outro lado, muitos estudantes conseguiram se adaptar com toda a situação da Covid-19 e tiveram bons resultados em 2021. Conheça experiências de alunos que alcançaram aprovações durante a pandemia. Veja dicas de rotina de estudo, escolha de cursos, preparação para vestibulares e a realidade destes jovens do Sul de MG.

Lívia, de Varginha

Lívia Assis Aparecida se formou no ensino médio em 2018 em uma escola particular da cidade. Logo em 2019, iniciou o curso de Biologia na Universidade Federal de Lavras (MG), ficou durante um semestre e encerrou a faculdade. Seu sonho sempre foi cursar Medicina, com o objetivo de ajudar as pessoas a lidarem com a mente. Ou seja, sua especialização seria em Psiquiatria.

“Tranquei o curso e continuei em Lavras, mas não consegui administrar uma rotina de estudo, por conta de toda a nova vida de morar sozinha. Fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e não passei. Voltei para Varginha e, em 2021, fui aprovada no curso de Psicologia na Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG)”, relata Lívia ao G1.

A estudante enfatiza que não se se sentiu afetada pela pandemia em relação aos estudos. Por já ter se formado há um tempo, já não estava mais no ritmo das aulas presenciais. Assim, foi possível estudar sozinha e alcançar a aprovação.

Por ter estudado anos para o Enem, Lívia guardou todos seus resumos de estudos das disciplinas que produziu desde o 1ª ano do ensino médio. Em 2020, não precisou fazer novos, apenas refez algumas anotações mais antigas e, assim, pôde otimizar seu tempo.

Resumos de estudo produzidos pela estudante de Varginha, MG — Foto: Lívia Assis Aparecida
Resumos de estudo produzidos pela estudante de Varginha, MG — Foto: Lívia Assis Aparecida

Ainda em 2020, Lívia não fez nenhum tipo de curso preparatório para o vestibular e estudou por conta própria.

“O único compromisso fixo que eu tive, foi um curso de redação que fiz com uma amiga que estava se especializando no método. As aulas mudaram totalmente a minha perspectiva de como escrevia em todo o ensino médio. O resultado foi extraordinário, fui com 960 pontos na redação do Enem”, afirma.

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Preparação para a prova

“Na semana que antecedia o Enem, peguei um dia da semana para cada disciplina, li todos os resumos do inicio ao fim. O que me ajudava era ler como se estivesse explicando para alguém que não conhecesse o conteúdo, dando sentido para os textos. Assim, durante a prova, eu lembrava do jeito que eu explicava e isso me ajudou muito.”

Lívia conta ainda que sempre teve sua rotina muito livre. Não tinha um horário exato para acordar e ia no meu tempo. A estudante contou ao G1 que utilizou dos seus resumos guardados desde o início do ensino médio, aulões e vídeos na internet.

Após a prova

A jovem fez o Enem com o foco em Medicina e, quando viu que a nota apesar de boa, não seria suficiente para o curso, relata ter sido uma semana estressante e de muitas dúvidas. Segundo a estudante, este ano o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi bem mais complexo do que os anos anteriores.

“Só pra ter uma ideia, a minha primeira opção de curso era em São João Del Rei que, em 2020, o 1º colocado foi aprovado com 720 pontos na prova. Este ano, eu fui com 730 e fiquei como 2ª excedente da lista, das dez pessoas aprovadas. Como na UEMG fui aprovada direto, optei por me garantir então me matriculando na universidade.”

Escolha do curso

“Tudo que eu sempre quis fazer em Psiquiatria, é muito relacionado com o que vou fazer em Psicologia. Além disso, sempre tive planos de, como profissional, atender pessoas de baixa renda, mulheres vítimas de abuso, pessoas com ansiedade pelo menos uma vez nada semana, oferecendo uma sessão com um valor mais acessível, ou até mesmo, gratuito. Algo que eu conseguiria bem mais neste curso, do que na Psiquiatria”, afirma.

“Quando finalmente entrei na faculdade, levei um baque. São muitas atividades e, por ficar um tempo sem aquela rotina fixa, perdi o ritmo de estudo do Ensino Médio.”

“Não se cobre tanto. Faça o que você sabe que pode fazer. Eu sempre tive muito claro na minha cabeça que é preciso se conhecer, saber das suas limitações, ambições e ter um objetivo claro. A partir daí, as coisas começam a se desenvolver”, finaliza Lívia.

 

Ane Caroline, de Três Corações

Ane Caroline Romão de Melo Resende cursou o 3º ano do ensino médio em 2020 e foi aprovada em 2021 em Psicologia na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). Ela contou ao G1 que seu objetivo sempre foi passar em uma universidade federal.

Além da exigência para aprovação, ela compartilhou que em seu caso, seria ainda mais difícil por disputar a ampla concorrência do Enem. “Sempre tive dúvida em qual curso escolher, então meu foco foi tirar a melhor nota possível no exame para conseguir passar no que eu quisesse“, afirma.

“Comecei o ano muito focada e empolgada. Eu sabia que para rotina de preparo ser eficiente, precisava de um equilíbrio entre o estudo e minha vida fora dele. Então busquei outras coisas, como academia, por exemplo. Esse processo no início do ano me auxiliou a me sentir muito bem”, compartilha a estudante.

A jovem afirmou também que se sentiu muito afetada pelos efeitos da pandemia. “Foi um ano muito difícil. Além de ter que manter uma rotina, eu pensava em toda a vivência do 3º ano que eu estava perdendo. Eu precisei deixar a academia também. Então precisei me recolocar no caminho a todo momento”, relata.

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Ane optou por fazer apenas o Enem, pois o exame oferece muitas opções de escolha. Segundo ela, cada vestibular tem seu rumo de preparação e estudo e, com ele, ela teria diversas universidades para escolher.

“Eu negligenciei muito os estudos. Eu tentava estudar por fora da escola, fazer exercícios, buscar esclarecer dúvidas em conteúdos que tinha dificuldade, mas foi uma fase que procrastinei muito. Foi uma luta contra mim mesma. Ficar só em casa me desmotivou muito”, afirma.

Preparação para a prova

Ane teve auxílio de um curso na internet que, no valor de R$ 30, ela podia enviar quatro redações mensais para serem corrigidas, além de aulas diárias. Além disso, a aluna refez várias provas do Enem e buscou tentar entender o padrão do exame.

A aluna conta que um ponto positivo foi o tempo a mais para o estudo da redação. Sua nota foi de 980 pontos que, segundo ela, foi muito sofrido e exigiu muito esforço. “Foi muito frustrante, por que nunca conseguia atingir 1 mil na redação. Eu finalizava e, as vezes, por um erro eu não fechava a redação. Fazia outra, com foco em não repetir o erro e acabava surgindo outro”, complementa.

“Eu nunca desisti, sempre continuei tentando e valeu muito a pena. Estou muito satisfeita com o curso. É uma luta que você faz que, no final, você entra em um universo diferente da escola e se encanta por ele. Precisamos lutar contra os desejos da nossa cabeça e com nossos instintos de ficar sem fazer nada, mexendo no celular, procrastinando e acumulando coisas pra fazer. A dica é não se deixar perder no meio do caminho”, finaliza.

A visão do professor

Valéria Mayworm Woll, professora de um curso preparatório para vestibular de redação, falou ao G1 sobre a importância de não abandonar os estudos durante a pandemia. Seu público trata-se de alunos do 9º ao 3º no e também estudantes de cursinhos. Segundo ela, é possível se dedicar mesmo de forma online e ter resultados expressivos nesta fase.

Ela relatou que em 2020 com a suspensão das aulas presenciais, a qualidade de ensino oferecida foi a mesma. Dos seus 100 alunos, com foco em aprovação em diversas universidades, como Fuvest, Unesp, Unicamp e também instituições particulares, 90% tiveram resultados acima de 900 pontos na redação, chegando até a 980.

Ela reforça a importância de estudar a redação pelo fato de que ela sobe a nota total do Enem. “É um diferencial que pode levar os estudantes a conseguirem uma vaga em carreiras mais concorridas. Por isso as pessoas valorizam tanto o estudo proposto”, afirma a professora.

“Além das aulas de redação, é importante também uma bagagem sociocultural de informação que precisa ser levada ao texto. Por isso também ofereço além das correções individuais das redações dos meus alunos, aulas com professores de diversas áreas do conhecimento”, explica.”

“Mesmo com aulas remotas, conseguimos manter o ritmo dos alunos, de forma que conseguissem assimilar bem tudo que é oferecido pelo professor. Eu aconselho a não deixarem de estudar e se empenharem durante a pandemia. É importante que as pessoas tenham consciência que se elas querem, elas podem atingir, como meus alunos conseguiram”, finaliza.

* Estagiária, sob supervisão de Lucas Soares

Fonte: G1 Sul de Minas